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Auto-sacanagem publicitária – vai virar tendência no Brasil?

August 31st, 2012

CIA2

Postado por: CIA2

No começo do mês circulava na internet uma esquete idealizada pela produtora Porta dos Fundos, onde fazia uma critica bem humorada ao atendimento do restaurante Spoleto. Ontem, 29/08/2012 uma resposta ao vídeo inicialmente publicano na própria fan page do restaurante tem surpreendido à todos e causado inveja aos publicitários. Por quê? Diferente de outras marcas que também já foram alvo da mesma produtora, o Spoleto resolveu se aproximar do mesmo público que se identificou com a sátira. Além de ter patrocinado o canal da produtora no youtube, encomendou uma resposta também com muito bom humor. Uma verdadeira aula para as marcas.

Agora, imagine você, uma pessoa altamente criativa chegando numa reunião com o seu cliente para apresentar aquela idéia genial para uma campanha publicitária:

- Caro cliente. Trago para o senhor uma idéia ousada e bastante original. Tenho certeza que irá gostar!

- Que bom, querido amigo publicitário, qual é a sua idéia para a campanha de nosso produto?

- Pensamos em fazer um pequeno filme de 3 minutos para ser publicado no YouTube mostrando o atendimento dos colaboradores de sua empresa. A idéia é mostrar um péssimo atendimento de seus funcionários, onde o funcionário grita e até mesmo joga alimentos na cara da cliente que assustada, vai embora correndo, que tal?

- Ãhn?!

- Sim, isso mesmo! E tem mais! Vamos pegar o mascote do seu produto, aquele que aparece em todas as embalagens, iremos personificá-lo, dar vida a esse mascote e colocá-lo para responder seus consumidores de forma grosseira e mal educada no Facebook. O que acha?

- …

Bem, a reação do cliente da historinha acima parece ser bem previsível. No mínimo mandar o rapaz embora depois de dar alguns gritos de insatisfação. Isso se essa situação tivesse ocorrido ano passado. Pois hoje talvez o cliente diria:

- UAU! Que idéia fantástica!

É meus amigos, desde que Luiza esteve no Canadá, estamos vendo algo de estranho ocorrendo na publicidade brasileira, mais especificamente a online. E parece uma tendência. É o que chamo de “auto-sacanagem publicitária”.

Empresas estão “auto-sacaneando-se” a torto e a direito em vídeos e redes sociais, colocando o produto como motivo de piada e assim criando virais.

Sem dúvida o humor é uma poderosa forma de comunicação. Não é a toa que muitos anúncios publicitários apelam para o discurso do humor em suas mensagens. Mas cá pra nós, não é comum vermos anúncios do produto sacaneando o próprio produto. Pelo menos até pouco tempo.

Só esse mês vimos dois casos claros de auto-sacanagem publicitária. Nesses dois casos a coisa foi idealizada sem o prévio conhecimento e aprovação das empresas envolvidas. E talvez por isso tenha ido ao ar pois se esses casos fossem planejados muito provavelmente não seria aprovado e talvez nem desse certo como deu.

Auto Sacanagem 01

O primeiro caso foi idealizado pelo mineiro Ricck Lopes, um estudante de publicidade que de brincadeira resolveu criar a personagem Gina Indelicada.  Gina é aquela simpática e sorridente moça que aparece nos tradicionais palitos de dente. O sucesso veio das respostas que Gina Indelicada dá para seus seguidores no Facebook. Numa janela simulando o layout do Facebook Messenger, Gina responde grosseiramente seus fãs, como podemos ver abaixo:

 

 

 

 

Algumas figurinhas dessas conseguiram mais de 100 mil visualizações e sua página no Facebook alcançou mais de 1,7 milhões de curtidas.

A empresa que produz os palitos Gina, ao saber disso, não ficaram possessos da vida. Pelo contrário, chamaram Ricck para parabenizá-lo pelo feito e sugeriram projetos em conjunto.

Estranho não? Mas realmente me digam como que a Gina, uma marca de palitos de dente, seria propagada para milhões de pessoas utilizando um meio tão moderno quanto a internet se não fosse por algo ousado e bem humorado como a Gina Indelicada? Sem dúvida, o inusitado contraste da mulher sorridente com sua indelicadeza sinceridade foi a chave do viral.

A dúvida é: essa ação foi negativa? Sem dúvida a maior vantagem que Gina tirou dessa ação foi a promoção da marca que andava esquecida pela mídia, ainda mais na internet, onde ela nunca apareceu. Porém trabalhar com humor de tom tão ácido pode ser muito arriscado. Sobre isso, a revista Exame publicou uma análise sobre o caso Gina, traçando os lados positivos e negativos que uma ação dessas pode causar.

Este caso lembra muito outro caso, da manteiga egípcia Panda. Tem coisa mais fofa que um panda? No vídeo, que você já deve ter visto, um panda fofinho, mascote da marca, aparece sempre que alguém recusa sua manteiga. E o resultado é que o Panda fofinho, ao som de True Love Ways, fica prostituto da vida, destrói tudo que tem pela frente e intimida o cliente, que acaba aceitando a manteiga.

A diferença desse vídeo para o caso da Gina é que ele foi criado por uma agência, com o objetivo claro de chamar a atenção, promover a marca e assim alavancar as vendas do produto. Uma idéia ousada, que o doido do cliente bancou e que aparentemente deu certo. Apesar do vídeo ter sido criado para a TV e não para a internet,  já foi visualizado mais de 18 milhões de vezes no You Tube.

Auto Sacanagem 02

O segundo caso foi criado por Antonio Tabet, do famoso site Kibeloco, em um dos episódios da série youtubiana “Porta dos Fundos”. Protagonizado por Fábio Porchat e Clarice Falcão, um cozinheiro, vestido com roupas bem semelhantes ao cozinheiro do Spoleto e num local semelhante a um restaurante Spoleto, atende impacientemente uma mulher que está na dúvida entre quais ingredientes escolher para compor seu prato de macarrão. O cozinheiro chega a gritar com a cliente, pedindo para que ela seja mais rápida, ao ponto de chamá-la de vagabunda e finaliza jogando palmito na cara da coitada.

Qual a reação do Spoleto ao ver esse vídeo? Indignação? Raiva? Processo? Que nada, os donos do Spoleto chamaram o pessoal do Kibeloco e patrocinaram o vídeo, bancando um novo epísodio onde o cozinheiro é demitido para mais tarde voltar para o Spoleto bem mais calmo, depois de ter passado por outros empregos piores. Nesse segundo vídeo Porchat veste um uniforme com a marca do Spoleto e no final o logotipo da empresa assina a criação.

Agora pergunto: como que o Spoleto conseguiria fazer um viral desta magnitude utilizando um humor tradicional? E você acha que o discurso de auto-sabotagem utilizado no vídeo prejudica o Spoleto?

Talvez o sucesso desse vídeo foi colocar no personagem do cozinheiro a raiva que nós, clientes do Spoleto, sentimos daquele outro cliente que depois de passar 15 minutos na fila resolve decidir o que colocar na frigideira somente quando chega no balcão. Quantas vezes você ficou jururu da vida quando a mulher que está na sua frente fica horas olhando pros ingredientes decidindo o que vai colocar na panela?

O cozinheiro é treinado para esperar a sua decisão. Mas a raiva mesmo quem sente é o cliente que está esperando o outro decidir. Apenas colocaram a raiva dos outros clientes no discurso do cozinheiro. Talvez por isso achamos graça sem denegrirmos a marca. Seria diferente se a piada colocasse em cheque a qualidade dos produtos, mostrando baratas ou ingredientes estragados. Nesse caso comprometeria a credibilidade da empresa.

Por isso esse tipo de publicidade pode dar certo com alguns segmentos e outros não e portanto é um recurso arriscado. Quero ver o dia que aparecer um banco ou um plano de saúde fazendo vídeos mostrando seus clientes sendo destratados.

Veja que nos dois casos não foram ações pensadas com o objetivo de promover uma marca ou produto. Nos dois casos o compromisso foi com o humor e foi feito de forma espontânea. A promoção foi uma consequência da audiência conquistada. Será que se tivessem sido pensadas com o propósito da promoção, fariam o mesmo sucesso? Pois preparem-se para a avalanche de vídeos de auto-sacanagem publicitária que irão aparecer pela net nos próximos meses. Bem, agora, se vão se tornar virais…

Ok, mas a chapa ainda vai esquentar!

Hoje, 31/08/2012 muita gente deparou-se com a notícia no site Blue Bus de que a ideia da Gina Indelicada é uma cópia: clique aqui para ler a notícia

 

Fontes: hypeness, Bruno Ávila e Blue Bus

Cartas contra Alzheimer

May 11th, 2012

CIA2

Postado por: Depto. Criação

Iniciativas como essa mostram que publicidade se sustenta de boas ideias para gerar resultado, independente da mídia uitlizada.

É muito interessante observar como as agências estão tratando a propaganda dos seus clientes, principalmente aquelas do 3° setor. A Jon Von Matt, da Alemanha, criou uma ação de marketing direto criativa e eficiente a custo quase zero para a The Alzheimer’s Society Baden-Württemberg, instituição que combate a “doença do esquecimento”.

A agência mandou 9000 cartas sem selo pedindo doações. Como os Correios devolvem todas que estão nestas condições, a sacada foi colocar o endereço do destinatário no campo do remetente para o público-alvo receber a suposta carta que ele “enviou” há alguns dias. Como as pessoas não lembram de ter feito isto, elas experimentam por alguns minutos como um paciente que sofre de Alzheimer se sente. O conteúdo da carta explica o procedimento e incentiva a doação.

A instituição conseguiu doações de 35% das pessoas que receberam a carta e ação foi premiada com Bronze no Clio Awrads e entrou no short list de Cannes.

Surpresa no banheiro

May 9th, 2012

CIA2

Postado por: Depto. Criação

Mais uma vez, a IKEA conseguiu gerar buzz em torno de sua marca com uma ideia muito interessante. Quem diria que banheiro químico poderia ser usado como suporte para a marca promover seus produtos para um público potencialmente interessado em comprar esses itens?

A IKEA instalou o banheiro químico no local da Semana de Móveis de Milão. Como quase todo mundo, as pessoas esperavam entrar e sair o mais rápido possível de lá e encontraram uma bela surpresa, como você poderá ver nas reações captadas com uma câmera escondida.

Transformar um simples banheiro químico em uma entrada para um de 20 metros quadrados equipado com bons produtos de banho deve ter gerado muita propaganda boca a boca no local e rendido muitas vendas para a empresa, já que estava no local apropriado para isso.

 

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Os tijolos da estratégia

April 26th, 2012

CIA2

Postado por: Depto. Marketing & Planejamento

Como formular estratégia não é atividade do dia-a-dia, os gestores costumam esquecer os cinco passos para um processo estratégico bem-sucedido. Não custa relembrá-los. Artigo Harvard

Se você não tem muita experiência em formular estratégias para sua empresa ou unidade, considere-se bem acompanhado. Essa está longe de ser uma atividade do dia-a-dia para os gestores. Não à toa, algumas companhias sustentam a mesma estratégia por anos a fio; só a repensam mesmo se estiver acintosamente obsoleta. E, ainda assim, várias preferem passar a bola para consultores externos em vez de fazerem elas mesmas o “trabalho sujo”.

Em outras palavras, o pensamento estratégico não é uma competência central dos gestores na maioria das empresas, como explica o professor Clayton Christensen, maior especialista em estratégia da Harvard Business School. Os executivos desenvolvem suas capacidades de gestão ao lidar com problemas que se repetem, afirma Christensen, e “mudar de estratégia não é uma tarefa que se repita. Uma vez que as empresas encontraram uma estratégia que funciona, os gestores querem usá-la, não trocá-la. Resultado: a maioria deles não desenvolve o pensamento estratégico”.

OS PASSOS DA ESTRATÉGIA

Se você não é craque em formulação de estratégias –ou quer dar uma mão a alguém de sua equipe que está pisando nesse campo pela primeira vez–, aqui vão alguns passos a seguir. Importante: eles implicam enxergar dentro e fora da organização.

1. Olhe para fora e identifique ameaças e oportunidades.

No nível mais elevado, a estratégia tem a ver com o mercado lá fora e com o modo como os recursos da empresa podem ser rearranjados para criar uma vantagem explorável.

A estratégia deve lidar com as ameaças externas. Sempre há ameaças no ar: novos competidores, mudanças demográficas, fornecedores que talvez o deixem na mão, produtos substitutos que podem roubar seu mercado e fatores macroeconômicos que tendem a reduzir a capacidade de consumo de seus clientes. Seu negócio ainda corre o risco de ser ameaçado por um concorrente que produz mercadorias com a mesma qualidade das suas a um preço bem menor –ou um produto bem melhor com o mesmo preço.

A estratégia também deve lidar com as oportunidades externas: uma tecnologia novíssima, uma base de consumidores não atendida e assim por diante.

A primeira tarefa dos estrategistas é procurar no ambiente externo ameaças e oportunidades. Segue uma abordagem já testada:

-Forme uma equipe de executivos que tenha um chefe de departamento e indivíduos com qualidades especiais. A tarefa da equipe é identificar o conjunto de ameaças e oportunidades. Evite recrutar pessoas que aparentem ser complacentes ou ligadas ao status quo.

-Junte os pontos de vista de clientes, fornecedores e especialistas do setor. Esses pontos de vista podem ser poderosos.

Algumas empresas, em especial as de tecnologia, formam equipes de pesquisadores e técnicos para analisar mercados externos, concorrentes e inovações técnicas. Seu trabalho é encontrar tudo que possa ameaçar os negócios da companhia ou apontar para novas direções no setor ou mercado.

2. Olhe para dentro e avalie seus recursos, capacidades e práticas.

Recursos e capacidades internos podem direcionar a escolha de sua estratégia. A estratégia para explorar um novo mercado no setor eletrônico talvez não seja possível se sua empresa não tem o capital necessário nem o know-how humano.

Igualmente, a estratégia que necessitar de forte comportamento empreendedor vindo dos funcionários, por exemplo, parecerá condenada desde o começo se as práticas de sua equipe valorizam mais os anos de serviço do que a performance individual.

Tais capacidades internas –principalmente as humanas– são muito importantes e, em geral, pouco valorizadas pelos estrategistas. A estratégia só vai ser bem-sucedida se tiver o apoio das pessoas certas e de outras fontes; estas devem estar alinhadas corretamente com a estratégia.

3. Estude estratégias para lidar com ameaças e oportunidades.

Christensen tem postulado que as equipes de estratégia priorizem as ameaças e as oportunidades que encontrarem (ele as chama de “forças motrizes” da competição) e então discutam as duas questões em termos amplos. Se você for seguir esse conselho quando estiver desenvolvendo estratégias que se concentram nas ameaças e nas oportunidades, certifique-se de fazer o seguinte:

-Crie várias alternativas. Raramente há apenas uma maneira de fazer as coisas. Em alguns casos, as melhores partes de duas estratégias diferentes podem ser combinadas para criar uma terceira estratégia mais eficiente.

-Cheque todos os fatos e questione todas as hipóteses.

-Procure informações que faltam; é bem provável que haja alguma. Determine de quais você precisa para avaliar melhor uma estratégia específica e obtenha-as.

-Examine minuciosamente, com as melhores cabeças que você conhece, as principais escolhas estratégicas. Fazer isso vai ajudá-lo a evitar aquela “terapia de grupo” com sua equipe de estratégia.

4. Encontre o ponto de encaixe entre as atividades de apoio e a estratégia.

Michael Porter, professor da Harvard Business School, tem afirmado que estratégia é mais do que apenas um projeto para conseguir mais clientes; diz respeito também a associar atividades da empresa em uma cadeia cujos elos se apóiam mutuamente e são eficazes em evitar imitações.

5. Promova o alinhamento.

Depois de ter desenvolvido uma estratégia satisfatória, apenas metade de seu trabalho está feita. Agora você precisa criar um alinhamento entre as pessoas e as atividades da organização e sua estratégia.

Alinhamento é um estado no qual todos os funcionários de todos os níveis entendem a estratégia e que papel devem exercer para fazer com que ela funcione.

Como gestor, sua missão é promover o alinhamento de duas maneiras:

-Comunicando. Ajude as pessoas a entender a estratégia e como o trabalho de cada uma vai contribuir para que ela funcione. Crie uma situação em que até os funcionários de nível hierárquico inferior consigam entender os objetivos da empresa e explique como o que cada um faz contribui para atingi-los.

-Coordenando processos de trabalho. Alinhe as atividades das pessoas com os objetivos estratégicos corporativos. Prepare-se para a mudança. Formule uma estratégia vencedora e a implemente bem, e você provavelmente passará anos sem problema algum.

A COMPREENSÃO DO CARÁTER TEMPORÁRIO

Nenhuma estratégia, no entanto, é efetiva para sempre. Chega um dia em que algo muda no ambiente externo à empresa –novas tecnologias surgem, as necessidades dos clientes mudam, novos concorrentes aparecem– e a estratégia torna-se ineficaz. Infelizmente, muitas equipes de gestores não conseguem reconhecer quando isso acontece.

A natureza temporária da estratégia bem-sucedida deve avisá-lo de que é preciso ficar de olho no ambiente externo continuamente à procura de ameaças e oportunidades. Sua empresa já faz isso? Se não faz, quem serão as pessoas capazes de se encarregar dessa missão?

A formulação da estratégia, portanto, é um requisito contínuo para a boa administração. É, para citar Michael Porter, “um processo de percepção de novas posições que seduzam clientes de outras posições anteriormente estabelecidas ou criem novos clientes”. Esse é um processo que você deve manter embutido em sua organização.

Estes highlights do livro Manager’s Toolkit: The 13 Skills Managers Need to Succeed, da coleção Harvard Business Essentials (ed. Harvard Business School Press), foram preparados pela Harvard Management Update.

 

Fonte: HSM


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